quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

man-size

queria ter a sorte de chegar
ao tamanho de um homem
olhar de cima sem cair
da cama nos olhos nos cabelos
na barba no deslocamento de ar
tirar as botas pra mostrar que sou
mesmo grande, um mesmo, igual
que tá tudo bem e que é assim.

cheiro e som dançam no ar
a fumaça não tem culpa
de querer ter minha forma
enquanto quero uma terceira
mais sólida que esta paina
confortável aos olhos
alheia à tela subcutânea.

maior privilégio dos tamanho homem
ver o pensamento surgindo fresco
sem tempo de mudar diminuir subestimar
sendo instantaneamente solto
poder segurá-lo firme
jogar fora ou dentro
devolver igualmente fresco
o que não posso deste tamanho.




domingo, 15 de janeiro de 2017

Videopoesias transcriadas por alunos nos estágios de licenciatura


Autorretrato - Mario Quintana 

Videopoesia produzida pela turma 8A da Escola Municipal de Ensino Fundamental Osvaldo Cruz, durante as atividades de estágio de observação em língua portuguesa e literatura.



O céu de Clarice 


Videopoesia transcriada do poema homônimo de Caio Riter, 
por estudantes da E.M.E.F. Osvaldo Cruz (Pelotas/RS).
Atividade realizada no contexto do estágio de docência em literatura.


sábado, 31 de janeiro de 2015

Ed. Feliciano Xavier

HOTEL mentiu pro porteiro MANTA que ia visitar o amigo HOTEL desceu do elevador no 7º andar MANTA e usou as escadas pra subir HOTEL os outros dois MANTA no terraço acendeu um beck HOTEL tragou fundo MANTA soltando a fumaça MANTA bem devagar HOTEL MANTA HOTEL MANTA HOTEL subiu o muro MANTA e começou a caminhar HOTEL fechando o olho esquerdo MANTA dava a impressão de que HOTEL caminhava na calçada MANTA da osório HOTEL MANTA HOTEL MANTA contornou o prédio HOTEL e desceu pro telhado MANTA da loja shanadu HOTEL todos os gatos MANTA de todos os telhados da volta HOTEL estavam mais abaixo MANTA as telhas de barro HOTEL de gravidade barco MANTA jamais afundarão HOTEL gatinhou MANTA até as caixas d'água HOTEL MANTA HOTEL MANTA ativou dezenas de morcegos HOTEL e suas físicas sensoriais MANTA quando abriu a torneira HOTEL do menor dos tanques MANTA fazendo escorrer um rio HOTEL sobre a canaleta de telhas MANTA matou a sede HOTEL dos morcegos que voltaram MANTA HOTEL MANTA HOTEL MANTA passou por cima das caixas HOTEL e foi até as escadas de emergência MANTA desceu até a metade HOTEL e pulou no telhado do prédio ao lado MANTA à sua esquerda HOTEL uma janela aberta MANTA e a primeira cena do shortbus HOTEL caminhou até os exaustores MANTA e sentou no centro de um deles HOTEL girou devagar MANTA no centro de si HOTEL MANTA HOTEL MANTA HOTEL MANTA até ficar tonto HOTEL deitou-se em uma pequena laje MANTA começou a chover HOTEL uma garoa fina refrescante MANTA que deixou as telhas escorregadias HOTEL decidiu continuar pelos muros MANTA os sonoramente elétricos HOTEL achou melhor evitar MANTA pulou em uma sacada HOTEL cheiro de comida e mofo MANTA entrou pela HOTEL porta do quarto aberta MANTA no corredor ouviu uma mulher HOTEL "mas também sei que qualquer canto..." MANTA panelas sendo lavadas MANTA e um poodle rosnando pra ele HOTEL correu até a porta da frente MANTA o cachorrinho estridente HOTEL porta trancada MANTA girou a chave rápido HOTEL mas em silêncio MANTA correu na ponta dos pés HOTEL e desceu um jogo de escadas MANTA HOTEL chamou o elevador  foi até a garagem no subsolo HOTEL sentou-se ao lado do portão MANTA e esperou que o abrissem HOTEL MANTA HOTEL MANTA HOTEL MANTA pim pim pim pim pim HOTEL um carro entrou MANTA ele saiu costeando o marco HOTEL outra vez na calçada MANTA da osório HOTEL da parada arrancava seu ônibus MANTA decidiu esperar pelo próximo HOTEL dando mais uns pegas no beck MANTA ? HOTEL ? MANTA ? HOTEL . MANTA que ficou lá em cima HOTEL MANTA HOTEL MANTA HOTEL MANTA HOTEL MANTA HOTEL

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Acochambement: Álvaro Drummond de Cesar

Acho que o prédio que mais frequentei em Pelotas foi o Edifício Feliciano Xavier, (Osório, 631). Lá moravam o Gus Neumann (e seus colegas de apê), no 705, a Carla Rocha e a amada, no 102, e por último a Aline (102), cujos sentimentos são ambíguos.
Quando rolava o intercâmbio de apês consequentemente rolavam leituras, sobretudo se tinha vinho, e às vezes ficávamos tão empolgados que um não dava tempo do outro terminar a sua, sobrepondo sentidos mil.
Nessa ocasição era outono e o terraço muito confortável, e subimos mais coberta, vinho e livros. O Gus, sempre trágico quando apaixonado, subiu Álvaro de Campos, a Carla, sensível às identificações, Ana Cristina Cesar, e eu, que andava meio mito desmontado, Drumão.
E do vinho pro acochabement é um verso.




video

sábado, 4 de outubro de 2014

quinta-feira, 12 de junho de 2014

um carro piscou pra mim
um carro me mandou à merda
um carro entrou na contramão
um carro atropelou várias bicicletas

um carro pisou fundo
um carro furou o sinal
um carro tinha seguro
um carro estava com os documentos atrasados

um carro morreu no meio da avenida
um carro bateu no carro parado
um carro freou e deu pista alerta
e todos os carros ficaram presos no engarrafamento

quinta-feira, 22 de maio de 2014

silabada bino

logo hoje me olhei no espelho e 
achei bonito 
logo hoje
o espelho
me olhou e me achou 
bonito logo
hoje
me espelho 
olhei e achei
hoje bonito

cansado / triste
medicado / feliz
saudável / gordo
sorrisos / rugas
genética / calvo

ontem não me achava
não espelho antes disso
não sei se era bonito
tampouco se já era feio

há dias de pagamento em que estou radiante
e outros que fumo demais e acordo feio
metade do mês e o filtro é amarelo
amanhã perco o emprego